PÓS-GRADUAÇÃO

Universidade de Stanford quer se transformar em “fábrica” de líderes mundiais

 Universidade de Stanford quer se transformar em (Imagem: Wikimedia Commons)

Até o ano de 2030, Stanford dará bolsas a 100 estudantes por ano, que receberão um ensino multidisciplinar e voltado para a formação de líderes globais

Na última semana, a Universidade de Stanford o maior programa de bolsas de estudos do mundo para formar novas gerações de líderes mundiais. Segundo John Hennessy, presidente da instituição, ela visa uma educação multidisciplinar, com destaque para a empatia, a integridade e a colaboração.

O Knight-Hennessy Scholars, como foi nomeado, será um programa de bolsas de estudos completamente subvencionado, com um fundo de 750 milhões de dólares. A partir de 2018, o programa dará boas-vindas a 100 estudantes de pós-graduação por ano, dois terços dos quais serão intercambistas.

“Esperamos educar, nas próximas décadas, pessoas farão grandes coisas no mundo, seja como líderes empresariais, governamentais, de ONGs ou universidades. Esse é nosso objetivo”, explicou Hennessy durante uma entrevista à Efe em seu escritório na Universidade de Stanford, situada no coração do Vale do Silício.

Para o ano 2030, Stanford terá formado cerca de 1.000 estudantes, um grupo que Hennessy confia que ajudará a solucionar os grandes problemas que enfrenta a humanidade, como as mudança climáticas, a pobreza, a crescente desigualdade e epidemias como o zika.

“Esses são problemas realmente difíceis e requerem gente que tenha não só conhecimento detalhado sobre uma área específica, mas também gente capaz de colaborar e liderar”, explicou Hennessy, que deixará seu cargo como presidente de Stanford em 2016, após 16 anos no posto. A partir de então, ele passará a liderar o novo programa de bolsas de estudos.

A iniciativa recém anunciada, que recebeu uma doação de 400 milhões de dólares do ex-aluno de Stanford e cofundador da Nike, Philip Knight, vê grande potencial nos bolsistas não só em nível individual, mas também coletivo.

“Achamos que a rede que se gerará é um ativo muito valioso. É algo no que queremos investir”, adiantou Hennessy, quem afirmou que facilitarão a interação entre os bolsistas através de reuniões periódicas.

Formado em Engenharia, doutor em Informática e membro do conselho de administração de empresas tecnológicas como o Google, Hennessy acredita que uma boa educação exige não só conhecimento matemático mas também humanístico. “A gente rica, educada, que quer trabalhar bem com outras pessoas, necessita ter um amplo conhecimento em artes liberais. Têm que ser capazes de escrever bem e comunicar bem seus ideias, têm que poder relacionar-se com os demais e apreciar a existência humana e as diferentes culturas”, ressaltou.

Para Hennessy, “essas não são coisas que se aprendem em uma aula de programação ou matemática, mas sim estudando história, literatura e arte”, algo “muito valioso”, sobretudo, “para aqueles que aspiram liderar a outros”.

O presidente de Stanford ainda afirmou que os líderes do amanhã necessitam também desenvolver sua capacidade de empatia com os menos privilegiados. Mencionou, nesse sentido, o discurso conjunto de graduação que pronunciaram em Stanford, em junho do 2014, o fundador da Microsoft, Bill Gates, e sua esposa, Melinda Gates.

“Foi fascinante. Bill falou sobre sua fé na ciência e tecnologia para resolver os problemas do mundo e Melinda da empatia e sua paixão por ajudar aos mais pobres”, lembrou Hennessy. “Acredito que se necessitam ambas coisas e, é claro, uma grande integridade”, acrescentou.

Os selecionados a participar do programa Knight-Hennessy receberão financiamento durante três anos para realizar mestrados, doutorados ou programas profissionais, assim como formação em liderança e inovação.

Stanford começará a aceitar as solicitações dos futuros bolsistas durante a segunda metade do 2017 e dará as boas-vindas a seus primeiros estudantes no final do 2018. A iniciativa fará insistência na educação multidisciplinar nas sete escolas de pós-graduação da universidade, que aparecem classificadas entre as cinco melhores do mundo e que incluem estudos de direito, negócios, medicina, engenharia, humanidades e ciências; educação e ciências da terra, da energia e ambientais.

Além do programa Knight-Hennessy, o presidente de Stanford previu que, nos próximos anos, se verão mais avanços nas tecnologias móveis, assim como na área das baterias, que podem permitir que veículos elétricos sejam algo ao alcance de todos e não só daqueles que podem pagar 50.000 ou 100.000 dólares por um desses veículos. “Isso transformaria nossa sociedade e reduziria o uso do petróleo e gasolina”, afirmou Hennessy.




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