ENSINO PÚBLICO

Um em cada três alunos de escolas públicas já abandonou os estudos para trabalhar

Um em cada três alunos de escolas públicas já abandonou os estudos para trabalhar (Foto: Omar Freire/Imprensa MG)

Ao todo, foram ouvidos 8283 alunos de 15 a 29 alunos. Para 64,5% deles, o fato mais importante relativo ao futuro é entrar na universidade

Cerca de 30% dos estudantes da rede pública de ensino do Brasil já abandonou os estudos para trabalhar. A informação é de um estudo feito pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Organização dos Estados Interamericanos e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

Para obter os dados, foram considerados estudantes do ensino médio regular, das classes de educação de jovens e adultos (EJA) e do Projeto Projovem Urbano. Ao todo, foram ouvidos 8283 estudantes de 15 a 29 anos. Cerca de 20% dos alunos do ensino médio e 40% do EJA cumprem jornadas de trabalho de 8 horas diárias além do estudo. Um em cada quatro precisa conciliar os estudos com trabalho ou com os “bicos” para se sustentar (no Projovem e no EJA, estes números chegam a 75%).

Separadamente, 74% dos alunos do EJA e 30% do ensino médio regular já abandonaram os estudos para garantir o sustento. Chama atenção, também, que, dentre os alunos do sexo feminino, 18,1% já abandonaram os estudos por conta de uma gravidez.

Dentre os entrevistados, 63,5% se declaram pretos ou pardos e em 39% dos casos os pais são sem instrução ou possuem apenas o ensino fundamental incompleto. O motivo pelo qual voltaram a estudar é que buscam “ter um emprego melhor” ou ir para a faculdade para ser “alguém na vida”. Para 64,5% dos entrevistados, o fato mais importante relativo ao futuro deles é entrar na universidade.

Ainda segundo eles, um bom professor é estímulo suficiente para que permaneçam estudando. Os profissionais que fazem a diferença são descritos pelos alunos como “ativos” – brincam, conversam, interagem, incentivam a aprender; dão boas aulas, passam trabalhos interessantes, respondem as dúvidas e sabem prender a atenção. A escola ideal para essas pessoas na maioria dos casos não corresponde à realidade. Elas deveriam dispor de laboratórios e aulas de informática, bibliotecas abertas para cursos noturnos, água potável nos bebedouros, quadra de esportes e ventilação.

Os dados coletados do estudo foram cruzados com números do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2011, do Censo Escolar 2011, do Censo Demográfico de 2010 / IBGE, do Atlas de Desenvolvimento Humano 2013 e da Prova Brasil.




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