ESCOLA UNICEF

Sala de aula móvel da Unicef supre escolas afetadas por inundações em Assunção

Sala de aula móvel da Unicef supre escolas afetadas por inundações em Assunção (Foto: Andrés Cristaldo/EFE)

Mais de 17.000 alunos sofreram com as consequências das inundações. Pelo menos mais sete escolas como essa serão construídas

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) instalou, na última quarta-feira (10), em Assunção, sua primeira sala de aula móvel para estudantes afetados pelas inundações de dezembro do ano passado, que, além de desalojar mais de 100.000 pessoas, alagaram muitas escolas da capital paraguaia.

Em todo o país, mais de 17.000 alunos e 71 escolas sofreram com as consequências das chuvas, segundo o Ministério da Educação. Cerca de 120 crianças de duas dessas escolas, divididos em um turno de amanhã e outro de tarde, estudarão na primeira sala de aula móvel da Unicef a partir do próximo 24 de fevereiro, quando terá início o ano letivo.

A sala, instalada no pátio da escola República do Peru, no bairro Saxônia, um dos mais prejudicados, é um barracão desmontável feito com chapas de metal galvanizadas. Outras sete salas como esta serão montadas em mais sete pátios de escolas e nos acampamentos em Assunçao que se habilitaram para dar refúgio aos deslocados pelas inundações.

Além disso, a Unicef apresenta também 24 tendas-escola e também dará apoio psicossocial a alunos, pais e docentes e também promete uma formação centrada em melhorar os hábitos de higiene, água e saneamento dos estudantes, explicou à agência EFE Cynthia Brizuela, oficial de Educação do Unicef.

“A Unicef presta um acompanhamento psicossocial e trabalha a convivência, já que as crianças se veem deslocadas para espaços diferentes, vivem amontoados e se encontram em um colégio novo, com novas pessoas e um contexto estranho”, explicou Brizuela.

Este apoio visa “recuperar o sentido de filiação a uma comunidade e de identidade” que as crianças buscam nos espaços físicos de seu bairro e de sua escola, e que perderam ao ter de deslocar-se pelas inundações, afirmou à EFE Hugo Tintel, diretor de Apoio Social e Gestão de Riscos do Ministério da Educação.

“As barreiras na infraestrutura educativa é rápida de resolver, mas a identificação com um novo entorno e a convivência que compartilham são as tarefas pendentes de todo o ano letivo”, expôs Tintel.

Além disso, o deslocamento proporcionado pelas inundações eleva o risco de abandono escolar, já que muitas famílias se transferem a outras cidades próximas a Assunção e as crianças e adolescentes abandonam a escola neste processo, disse à EFE María Esther Villamayor, diretora de uma escola do bairro Tacumbú, cujas instalações se encontram anegadas. Isso porque a emergência afeta emocionalmente os alunos, provocando “mudanças em sua personalidade, maior agressividade, e certa negligência em relação aos estudos”, explicou Villamayor.

A docente pediu às autoridades a transferência de sua escola de forma permanente à Primeira Divisão de Infantaria, um prédio militar que funciona como acampamento para os deslocados e onde vivem muitos de seus alunos. Assim, se evitaria, segundo Villamayor, que os estudantes que habitam bairros submetidos às inundações fiquem sem aulas cada vez que o rio Paraguai transborde essas zonas, o que ocorre de forma cíclica.

De fato, o governo paraguaio recomendou aos deslocados que não retornem a seus lares apesar da progressiva baixa do nível do rio, já que prevê que em março se inicie a alta estacional. De acordo com as autoridades, as inundações de dezembro se produziram devido às precipitações causadas pelo El Niño. Desde então, dezenas de milhares de pessoas permanecem deslocadas em acampamentos espalhados pela cidade, onde levantaram precárias casinhas de madeira e chapa nas quais seguem vivendo.




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