REORGANIZAÇÃO ESCOLAR

“Recebi a mensagem dos estudantes”, afirma Alckmin ao supender reorganização escolar em SP

  • “Sempre que perguntado entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo”, disse Alckmin ao citar Papa Francisco

Foto: EFE/MAURILIO CHELI

Decisao ocorre um dia após Ministério Público e Defensoria Pública do Estado pedirem na justiça a suspensão da reorganização

O Governador do Estado, Geraldo Alckmin, anunciou a suspensão do processo de reorganização escolar no Estado, que previa o fechamento de 93 unidades escolares. De acordo com Alckmin, o período de implementação do projeto da Secretaria da Educação duramente criticado por pais, alunos, professores e educadores das principais universidades do Estado, será substituído por um período de debate escola por escola com pais, alunos e professores.

“Recebi a mensagem e respeito a mensagem dos estudantes e dos seus familiares com a suas dúvidas e preocupações em relação à reorganização das escolas aqui no nosso Estado de Sao Paulo. Por isso nós decidimos adiar a reorganização e rediscutí-la, escola por escola, com a comunidade, com os estudantes e em especial com os pais dos alunos”, afirmou Alckmin durante o anúncio feito para a imprensa.

A decisão ocorre quase um mês após os estudantes iniciarem as ocupações de mais de 200 escolas em todo o Estado e cinco dias após o vazamento do áudio de uma reunião em que o chefe de gabinete da Secretaria de Educação, Fernando Padula Novaes, anunciar guerra aos manifestantes. Desde então, os confrontos entre estudantes e policiais aumentaram e as manifestações passaram a ocupar a principais vias da capital numa nova estratégia de atuação dos secundaristas para pressionar o governador pela revogação do fechamento das escolas.

A escalada de violência gerou a reação do Ministério Público e da Defensoria Pública do Estado, que abriram uma Ação Civil Pública para suspender a reorganização, e da população. De acordo com uma pesquida do Datafolha, o Alckmin bateu o próprio recorde de rejeição em meio a crise na educação e no abastecimento de água do Esatdo, chegando a 28% de ótimo e bom – índice que em fevereiro era de 38% segundo o mesmo instituto de pesquisa. O Datafolha também sondou a aprovação da política de reorganização do Governo do Estado e mostrou que 61% da população é contra a medida anunciada por Alckmin.

De acordo com o governador, que deixou a coletiva sem responder as perguntas dos jornalistas, o ano de 2016 será o “ano do diálogo”. “Vamos aprfundar o diálogo que estamos fazendo há meses e acreditamos nos benefícios da reorganização. Isso fecha um ciclo, porque permite também a gente ajudar no ensino infantil. Só na cidade de São Paulo faltam 150 mil creches, e então vamos dialogar escola por escola”, destacou Alckmin.

Os atuais alunos continuarão nas escolas onde estão matriculados, sem transferências, e o debate deverá ser aprofundado em cada escola “especialmente com estudantes e pais de alunos”.

Ao final o seu anúncio, Alckmin citou uma frase do Papa Francisco, em que ele afirma que “sempre que perguntado entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo”.




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