ASTRONOMIA

Música e fotografia: uma forma diferente de estudar ciência

Música e fotografia: uma forma diferente de estudar ciência (Foto: EFE/Observatorio Europeo Austral)

José Francisco Salgado cria filmes que misturam ciência e sinfonia com o interesse de estimular a curiosidade em aprender sobre o Universo

Em 1916, o compositor galês Gustav Holst concluiu a suíte “Os Planetas”, sua obra mais famosa. Cem anos depois, o astrônomo e artista visual porto-riquenho José Francisco Salgado cria espetáculos multimídia para transmitir a ciência de forma atrativa.

“Eu utilizo as artes para comunicar conhecimentos mediante filmes que misturam ciência e sinfonia. Meu interesse é estimular o interesse e a curiosidade em aprender sobre o Universo”, Salgado, quem se confessa “um apaixonado pelos céus do deserto chileno do Atacama”.

“As pessoas vão às salas de concertos para aprender música dramática”, diz Salgado, mas ele prefere organizar “viagens cósmicas”, como o concerto audiovisual que estreou na noite de última sexta-feira inaugurou na terceira edição do “Puerto de Ideas Antofagasta”, o maior festival cientista da América Latina.

Seja em gigantescos auditórios ao ar livre em Guanajuato ou Chicago, ou em uma pequena escola rural do norte do Chile, este doutor em Astronomia pela Universidade de Michigan (Estados Unidos), indicado ao Emmy e fotógrafo experimental, exibe suas criações multimídia para transmitir a ciência de forma atrativa.

Os “Filmes Sinfônicos de Ciência” de Salgado foram exibidas em 115 espetáculos organizados em 50 cidades de 15 países, apresentados por orquestras do tamanho da Sinfônica de Chicago, de San Francisco, Nacional Checa e Nacional do México.

“O conteúdo dos meus filmes é científico. Utilizo a arte, a música, para levar uma mensagem educativa”, afirma Salgado, quem também realizou filmes sobre as luzes no hemisfério norte.

“Para obter esse material viajei ao Canadá, para observar as auroras do norte. O que veem os espectadores não são efeitos especiais, mas “time lapse” (fotografias tomadas com lapsos de tempo) que captam os elétrons do sol que descarregam sua energia e fazem com que a atmosfera brilhe”, relata o astrônomo.

Suas obras “Os Planetas” – a primeira criação, há dez anos – e “Quadros Astronômicos” – baseada em “Quadros de uma Exposição”, de Modest Mussorgsky – foram consideradas pela União Internacional Astronômica e a Unesco como projetos especiais para o Ano Internacional da Astronomia, em 2009.

Ao longo da história, houve vários casos de relacionaments entre ciência e arte, como o de William Herschel, o cientista alemão que em 1781 descobriu o planeta Urano e que antes de se transformar em astrônomo compôs várias sinfonias. Mais de dois séculos depois, José Francisco Salgado segue os passos do cientista, compositor e multinstrumentista alemão.

E na noite da última sexta-feira, o astrônomo porto-riquenho apresentou ao público do cinema Municipal de Antofagasta a sinfonia de Holst interpretada pela orquestra sinfônica desta cidade – situada a 1.300 quilômetros ao norte de Santiago – sobre os planetas do sistema solar acompanhado de sete curtas-metragens audiovisuais em alta definição.

Os filmes, reproduzidos em uma gigantesca tela LED, incluíram espetaculares imagens, fotografias, animações, ilustrações históricas e visualizações científicas procedentes de organismos científicos como a Nasa e a Agência Espacial Europeia.

O concerto multimídia de Salgado marcou o começo da III edição do Festival de Ciência “Puerto de Ideas Antofagasta”, em cuja inauguração o ministro da Cultura, Ernesto Ottone, reconheceu as dificuldades pelas quais atravessa a pesquisa no Chile e pediu um esforço coletivo para impulsionar a ciência no país.

No ano passado, pela primeira vez de forma generalizada, a comunidade científica chilena protagonizou protestos e mobilizações para processar mais recursos e apoio institucional.




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