BIENAL DO LIVRO

Manuscritos de Borges e Cortázar revelam métodos de criação dos autores argentinos

Manuscritos de Borges e Cortázar revelam métodos de criação dos autores argentinos Foto: EFE/Leo La Valle

Expostos na XVII Bienal Internacional do Livro Rio de Janeiro, os manuscritos trazem material inédito para os fãs dos escritores argentinos.

Uma exposição de manuscritos de Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e outros autores clássicos argentinos na XVII Bienal Internacional do Livro Rio de Janeiro revela os mecanismos criativos destes escritores.

A amostra, organizada no ano passado pela Biblioteca Nacional da Argentina e agora trazida ao Brasil, também reúne fac-símiles manuscritos de Adolfo Bioy Casares, Leopoldo Lugones, Rodolfo Walsh e David Viñas.

“O que o manuscrito nos traz é o autor no próprio momento de criação da sua obra”, disse à Efe o diretor de cultura da Biblioteca Nacional da Argentina, Ezequiel Grimson.

Segundo Grimson, Borges defendia a tese de que a obra definitiva de um autor é “uma sombra” da ideia dele, portanto, o manuscrito se constitui do “momento de passagem, quando essa ideia se transforma na obra”.

Alguns dos manuscritos trouxeram revelações surpreendentes, como um conto de Borges intitulado “Tema del traidor y del héroe”, onde o autor acrescentou um final alternativo ao que foi publicado pela primeira vez na revista “El Sur” e foi encontrado acidentalmente nos depósitos da Biblioteca Nacional em 2013.

Borges ia trabalhar frequentemente na Biblioteca Nacional e pedia emprestado muitos livros, onde fazia anotações e depois os devolvia às estantes, segundo contou Grimson.

Uma equipe de pesquisadores está seguindo os passos do autor pela biblioteca e encontrando milhares de livros de diversos autores com anotações nas margens, feitas pelo criador de “El Aleph”.

Já os manuscritos de Cortázar expostos no Rio são a sorte do achado de um caderno/diário que o autor manteve enquanto escrevia “Rayuela”, onde se encontra inclusive um desenho de um jogo de amarelinha (em espanhol, o jogo se chama rayuela). A estrutura do jogo infantil é “muito parecida” com a do próprio romance, indicou Grimson.

Nas suas páginas, Cortázar também fez anotações sobre vários outros temas, inclusive, por exemplo, sobre características que atribui ao povo argentino, algumas positivas – pessoas queridas, que tem “faísca” e são leais – e outras que ele julgou negativas – seu comportamento e sua autossuficiência.

A Biblioteca Nacional também encontrou manuscritos inéditos de David Viñas, repletos de rabiscos, riscos e flechas em várias cores, saindo de um lugar para outro. O material será editado pelos pesquisadores e publicado assim que estes terminem de “desembaraçar” o texto.

Grimson informou também que os manuscritos se referem à vida do político, militar, jornalista e escritor argentino Lucio Victorio Mansilla e poderão ser publicados em 2016 sob o título “Mansilla, entre Rosas y París”.

A Argentina é o país homenageado na Bienal Rio deste ano, que começou na última quinta-feira, 3 de setembro, e se estende até o domingo, 13.




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