EDUCAÇÃO RURAL

Brasil fechou mais de 4 mil escolas rurais em 2014

  • Estima-se que 83 mil estudantes já tenha sido afetados pelos fechamentos

Brasil fechou mais de 4 mil escolas rurais em 2014 Foto: ACAN-EFE/EL DIARIO DE HOY/NELSON DUEÑAS

Nos  últimos 15 anos foram 37 mil escolas fechadas

Dados do último Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelam que  mais de 4 mil escolas rurais foram fechadas em 2014, a maioria nas regiões Norte e Nordeste.

Dividindo o número de escolas rurais fechadas pelo número de dias no ano, a média é de 8 escolas fechadas por dia na região rural. Com os números de 2014, a conta dos últimos 15 anos totalizou 37 mil escolas fechadas.

A Coordenadora Geral de Educação do Campo e Cidadania do INCRA e professora da Universidade de Brasília (UnB), Clarice Santos, afirma que “esses números revelam o fracasso da atual política de educação no campo”.

“Se por um lado existe um esforço do governo federal em ampliar o transporte escolar rural, por outro, esse esforço não é o mesmo para evitar o fechamento das escolas”, critica Santos.

Dentre os estados mais afetados aparece em primeiro lugar a Bahia, que teve 872 escolas rurais fechadas, seguida pelo Maranhão, com 407, e o Piauí, com 377.

Erivan Hilário, representante do setor de educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) aponta que a falta de fiscalização nas ações das prefeituras tem grande parcela de culpa pois “O MEC institui as portarias, as leis são sancionadas, mas, na prática, quem tem o poder de fechar as escolas é o município”.

Os municípios alegam que existe falta de alunos para manterem estas escolas abertas, porém 83 mil estudantes já foram afetados em consequência destes fechamentos. Hilário aponta também que “se o município alega falta de alunos e de verbas, as escolas acabam sendo fechadas, e políticas que poderiam impedir esse fato não são colocadas em prática”.

Além disso, Hilário destaca que a situação acaba incentivando o êxodo rural e consolida o papel do agronegócio nas regiões como uma priorização de lucros sobre o desenvolvimento local.

“O fechamento das escolas no campo não pode ser entendido somente pelo viés da educação. O que está em jogo é a opção do governo por um modelo de desenvolvimento para o campo, que é o agronegócio” diz Hilário, ao destacar que o agronegócio pensa no campo “sem gente, sem cultura e, portanto, um campo sem educação”.

 




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