TODOS PELA EDUCAÇÃO

Mais de 1,4 milhões de jovens não concluem o ensino médio

Mais de 1,4 milhões de jovens não concluem o ensino médio (Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

O avanço desde 2005 foi de 15,4%. Para avançar nos índices de conclusão do ensino médio, o estudo aposta em melhorar os índices também no ensino fundamental

Um levantamento da ONG Todos Pela Educação (TPE), divulgado na terça-feira (16/02), mostrou que 43,3% (1.487.698 no total) dos jovens brasileiros até 19 anos não concluíram o ensino médio até 2014. O estudo corresponde ao monitoramento da meta número 4 da organização, que prevê todos os jovens de 19 anos com Ensino Médio concluído até 2022.

Os 56,7% que concluíram o ciclo representam um avanço de 15,4% em relação a 2005, de 1.442.101 para 1.951.586 estudantes. “Embora as desigualdades tenham diminuído, as disparidades ainda são altas e precisam ser corrigidas de forma vigorosa para garantir a todos igualdade de oportunidades no sistema público de ensino”, afirmou na nota Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação.

Ainda segundo a pesquisa, feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad / IBGE), para que os indicadores continuem mostrando melhora é preciso atentar também para as taxas de conclusão do ensino fundamental. Os dados do TPE observam que, na última década, o indicador de conclusão do Ensino Fundamental cresceu quase 15 pontos percentuais, aumentando de 58,9% em 2005 para 73,7% em 2014.

Ricardo Falzetta, diretor de comunicação do Todos Pela Educação, explica que o fator qualitativo da educação tem grande influência sobre as taxas de conclusão de ciclos. “A escola precisa se reestruturar e se replanejar. Ela não se mostra atraente para muitos jovens, e isso faz com que se tenha uma grande defasagem da idade/série e abandono escolar”, afirma ele.

Embora conhecidos há tempos, estes problemas levam tempo para serem corrigidos. “No Congresso, já tramitam alternativas para a reformulação no ensino médio e projetos de mudanças curriculares na educação básica, com o objetivo a tornar a escola mais adequada aos jovens do século XXI. Mas em educação as cosas não são rápidas”, observa Falzetta.

Indicadores sociais

Dentre os avanços observados no estudo, é possível notar, também, a diminuição das diferenças regionais e socioeconômicas. Entre os 25% mais ricos e os 25% mais pobres da população, por exemplo, a diferença caiu de 62,4 pontos percentuais em 2005 para 48,1 pontos percentuais em 2014.

Para o diretor de comunicação da TPE, as diferenças são um reflexo da desigualdade do país. “As questões sociais se mostram nos indicadores da educação. Embora os ‘gaps’ venham caindo caindo, o pais ainda não oferece a mesma oportunidade a todos em relação ao direito à educação”.

Considerando a data final para alcançar a meta (2022), Falzetta não acredita que será possível cumpri. “Mas a função de uma meta é justamente. Ela deve ser sempre um fator de motivação. Como vemos, na série histórica, uma melhora, consideramo que o resultado é positivo positivo. Nosso dever, agora, é continuar monitorando e batalhando com vigor para sustentar essa melhora”, conclui.




Secciones: