Financiamento Estudantil

Fies estimulou a rentabilidade de grupos educacionais, defende economista

  • Fies vive momento de polêmicas mudanças em suas regras

Fies estimulou a rentabilidade de grupos educacionais, defende economista Foto: Divulgação

Grupos educacionais de capital aberto foram bastante estimulados durante o período em que o FIES vivia momento de "sucesso absoluto" entre os anos de 2010 e 2014

Grupos educacionais de capital aberto foram bastante estimulados e registraram crescimento durante o período em que o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) vivia momento de “sucesso absoluto” entre os anos de 2010 e 2014, defendeu nessa terça-feira o analista de educação do banco Santander, Bruno Giardino.

Segundo Giardino, o  programa de financiamento do governo deferal encerrou 2014 com 1,9 milhões de contratos registrados com mais de 1.630 instituições de educação superior brasileiras segundo os dados oficiais.

“Isso representava 43% do mercado, mas em 2015, houve uma queda na oferta de aproximadamente 1/3 de financiamentos em relação ao ano anterior. Foi de 732 mil contratos em 2014, para 252 mil no primeiro semestre de 2015”, lamentou o analista do Santander.

O seminário promovido pelo banco espanhol apresenta desde ontem as dificuldades que as empresas de educação enfrentam com a evasão dos estudantes. Oscar Hipólito, reitor da Universidade Anhembi Morumbi afirmou que os estudantes da rede particular, que enfrentam problemas para aderir ao programa do Ministério da Educação destinado à concessão de financiamento aos alunos, podem se evadir mais facilmente das instituições, algo que já é sentido pelas faculdades e universidades particulares do país.

Assim como o reitor, Giardini reforçou que a falta de financiamento não é a maior causa de evasão no ensino superior, mas é sim relevante e deve ser avaliada “de perto”.

Medo de mudanças

“As mudanças do Fies impactaram significativamente a performance de companhias de capital aberto, pois com as incertezas na mudança, este que é um mercado que vive de expectativas se depreciou”, continuou o analista.

O Fies vive um momento de polêmicas mudanças em suas regras, entre elas, se destaca um aumento da nota mínima de 450 pontos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para ter direito a estes créditos estudantis, oferecidos a condições mais favoráveis de empréstimo que a de instituições financeiras regulares.

Segundo o MEC, a modificação das regras buscou “consolidar” o modelo de estudo e obedece a duas razões: A primera é assegurar a qualidade dos cursos e a segunda é dar prioridade a algunas áreas, como a educação básica e a formação de profesores, através das licenciaturas.

Um espaço a desbravar

“A discussão sobre o financiamento é vencida. Todos sabem o que é e que deve ser feito, a pergunta agora é: ‘como entrar neste meio?'”, questionou o superintendente do Santander Universidades, Daniel Mirtraud.

Para o especialista, os bancos devem se preparar para a oferta de créditos, mas reconhece que a inconstância do Fies pode ser prejudicial ao mudar “do dia para a noite”,  já que instituições financeiras estão fundamentadas em um mercado de crédito mais estável.

“O crédito estudantil é uma coisa muito difícil e complexa”, explicou Mirtraud ao reconhecer que é um setor que não traz ganhos de escala -a medida que aumenta a quantidade de bens produzidos, você consegue diminuir o custo desses produtos e negociar melhores preços-, ao atender apenas um terço do mercado existente.

Por outro lado, o superintendente afirmou que o banco Santander pensa em entrar para essa oferta de financiamento já em 2016, mas reconhece que em todos os outros países em que atua nesta área, recebe apoio do governo para a transferência dos valores.

 

 

 




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