EXPOSIÇÃO DE CARTAS

Em exposição, cartas mostram lado íntimo de Mario de Andrade

Em exposição, cartas mostram lado íntimo de Mario de Andrade Foto: Daniel Muñoz

A exposição acontece no prédio histórico dos Correios no centro da capital paulista e reúne fac-símiles, obras, desenhos, áudios, vídeos e livros ligados às correspondências que o poeta trocava com seus amigos.

A cidade de São Paulo estreiou no último fim de semana no Centro Cultural dos Correios uma exposição que reúne justamente as principais correspondências do expoente do movimento modernista brasileiro, Mário de Andrade, com seus colegas artistas.

Logo à entrada da exposição, observa-se uma máquina de escrever cercada por uma onda de papéis por todo o chão, esta cena foi criada por Guilherme Isnard baseada na estimativa de Mario ter escrito cerca de 20 mil cartas em vida, portanto havia 20 mil cópias de suas cartas espalhadas pelo ambiente, conforme explicou à Efe a curadora Denise Mattar.

Todas as cartas expostas são fac-símiles, já que “a importância está no conteúdo”, como disse Mattar, explicando sua opção por não expor as originais, que nem teriam como ser expostas com o conteúdo por completo, já que as cartas eram escritas na frente e no verso de um mesmo papel, dificultando a exibição.

Mattar demonstra que as cartas tem um teor muito pessoal do poeta, como em uma que trocou com Portinari onde “é quase um papo de compadres”, brincou Mattar, mostrando também como se demonstrava a paixão do poeta por Tarsila de Amaral nas correspondências, esta que recebeu duas cartas de Mario “extremamente românticas e apaixonadas”.

Mas as cartas não só refletem a personalidade do poeta, como também representam alguns ideais revolucionários do modernismo que tomaram a cidade durante as primeiras décadas do século XX.

A curadora explica que entre seus critérios para a escolha das cartas estava “uma ligação com as artes plásticas, como se observa na longa carta de 14 páginas que Mario escreveu para Henriqueta Lisboa, falando sobre os retratos dele pintados por Cândido Portinari e outros artistas”, apontou Mattar.

Mário teve entre seus interlocutores os mais importantes poetas, escritores e artistas brasileiros daquela época, seus amigos Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Menotti Del Picchia, Portinari, Henriqueta, Tarsila, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Enrico Bianco e Luís da Câmara Cascudo.

Subdividida cronologicamente nos períodos do Primeiro Modernismo e Segundo Modernismo, o acervo contará também com obras de arte de Malfatti, Tarsila, Di Cavalcanti e Portinari.

O ator João Paulo Lorenzón gravou algumas das cartas do escritor mostrando os diferentes tons que Mário usava para os seus correspondentes: carinhoso para Anita, caloroso para Portinari e apaixonado por Tarsila, todos disponíveis para os visitantes ouvirem.

A coleção de obras do próprio Mário de Andrade, hoje abrigadas no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), também será exposta. Entre elas: “As Margaridas de Mário”, de Anita Malfatti e “Mulher”, de Di Cavalcanti, e desenhos e aquarelas de Cícero Dias, Ismael Nery, Portinari, Segall, Zina Aita, Augusto Rodrigues e Bianco.

Chegando à capital paulista depois do grande sucesso que encontrou em Brasília e no Rio de Janeiro, a exposição ficará aberta até o dia 15 de novembro e tem entrada gratuita, os visitantes que desejarem podem enviar uma carta ao poeta em uma antiga caixa de correios deixada no local, algumas das cartas serão posteriormente escolhidas para compor o catálogo da exposição em São Paulo, indicou Mattar.




Secciones: