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Educação à distância cresce no México como forma de aumentar a inclusão social

  • No México existem 380 mil matrículas de educação à distância

Educação à distância cresce no México como forma de aumentar a inclusão social Foto: EFE/Zayra Morales

“Melhorar a qualidade dos docentes é nossa maior prioridade e creio que o uso das tecnologias nos ajudará com isso”, ressaltou o reitor da unidade Cuajimalpa da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM), Eduardo Peñaloza.

A educação à distância de nível médio e superior “chegou para ficar” no México – devido ao potencial da internet, à vasta geografia do país, seus trabalhos de inclusão social e sua compatibilidade com o ensino presencial do país – concordaram na quarta-feira, 17 de junho, várias autoridades da educação em um encontro no país.

“O que se notou é que (a educação à distância) chegou para ficar” e agora deve moldar-se “para que corresponda às necessidades da sociedade mexicana”, disse Francisco Cervantes, reitor da Universidade Aberta e à Distância do México (UnADM), em um café da manhã informativo organizado pela Universidade de La Rioja (UNIR) do México e pela Agência Efe.

Cervantes ressaltou que até 2018 esperam “ter uma cobertura territorial de cem por centro, ou seja, que todos os municípios das entidades federativas do país tenham acesso à educação superior”.

Julieta Palma, a diretora geral da UNIR no México, destacou que a saúde do setor é “muito boa” porque mostra “crescimento e aumento da cobertura” em relação ao passado.

Entre as vantagens desse sistema, indicou, está a possibilidade de cada aluno fazer “seu próprio currículo”, um ponto que “na Europa está avançando muito”.

Guadalupe Vadillo, membro da coordenação da Universidade Aberta e Educação à Distância da Nacional Autônoma do México (UNAM), o maior centro de estudos do mundo em espanhol, afirmou que “tanto as entidades educativas como o mercado de trabalho e a sociedade em geral começam a ver as grandes vantagens que se tem” neste modelo.

Reconheceu no entanto, que da mesma forma que acontece com a educação presencial, no mercado “tem ofertas boas, ruins e medianas”, mas defendeu que “tem programas rigorosos, cuidado no desenho das disciplinas curriculares, nos conteúdos, materias e nas partes tecnológicas”.

“Melhorar a qualidade dos docentes é nossa maior prioridade e creio que o uso das tecnologias nos ajudará com isso”, ressaltou o reitor da unidade Cuajimalpa da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM), Eduardo Peñaloza.

Esse campus conta com uma rede social própria onde os professores podem compartilhar material educativo e comentar entre os colegas e alunos, além de outros avanços tecnológicos.

Cervantes lamentou que ainda exista uma certa tendência dos governos da América Latina de “fazer leis bastante restritivas” para o setor, das quais eles receiam.

Destacou em contraponto que a UnADM tem estudantes mexicanos em 91 países diferentes, alguns tão distantes como a África do Sul e Cingapura, e conta com alunos com idade “entre 13 e 81 anos”.

Detalhou que, no entanto, a concentração etária está “entre os 25 e 45 anos”, o que se torna importante por estes estarem normalmente “já incluídos nos setores produtivos” e isso “beneficia todo o país”.

Segundo Cervantes, “um dos pontos positivos” da educação à distância é “a inclusão social”, pois esta consegue chegar em zonas remotas aonde as pessoas tinham dificuldades em assistir fisicamente as aulas.

Palma destacou também que a filial mexicana do grupo UNIR da Espanha está oferecendo 500 bolsas para acolher estudantes que não sucederam em passar nos vestibulares da UNAM (cerca de 118 mil estudantes), o que equivale a 8,9% do total de inscritos.

Para Vadillo, os potenciais benefícios da educação à distância podem ser “alunos sobressalentes” que “na logística presencial se topam com as paredes” porque têm “ritmos muito acelerados em relação a seus companheiros”.

Também se beneficiam estudantes que tem alguma deficiência física que os impossibilita estudar no ambiente presencial por serem vitimas de algum tipo de “bullying”, disse.

Outros grupos que já se utilizam deste método educativo são esportistas, bailarinos e “migrantes que querem voltar ao México e por isso querem se integrar com o bacharelado mexicano”, acrescentou.

Vadilho rechaçou a “ideia de que quem opta pela educação à distância é aquele que não pode ir para as aulas” e a ideia de que o sistema é simplório.

A UNIR é a primeira universidade privada espanhola com estas características que já tem presença no México e na Colômbia.

Já tem 32 mil estudantes e “a médio prazo” espera oferecer “o dobro de vagas tanto em licenciaturas como em bacharelados, tanto no México como na Europa” destacou.

Segundo os dados mais recentes da Secretaria de Educação Pública (SEP) mexicana, dos 120 milhões de mexicanos, 35,7 milhões são estudantes (29,7%) e entre estes apenas 3,4 milhõaes são de nível superior (2,8% da população).

No México existem 380 mil matrículas de educação à distância e, combinando com os dados da Associação Mexicana de Internet (AMIPCI) que apontam a existência no país de 51,2 milhões de usuários de internet, o potencial do sistema de educação à distância se mostra grande.




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