EDUCAÇÃO DIGITAL

Especialistas defendem educação inclusiva para reduzir desigualdades na iberoamérica

Especialistas defendem educação inclusiva para reduzir desigualdades na iberoamérica (Foto: EFE/JOSÉ MÉNDEZ)

Para participantes do fórum “A educação na era digital”, é preciso unificar ensino e digitalização para impulsionar o desenvolvimento da ibero-américa

Unificar ensino e digitalização em uma sociedade eternamente em transição é uma tarefa difícil, porém indispensável para garantir o avanço rumo a um modelo de educação mais inclusivo e capaz de diminuir a desigualdade na região ibero-americana. Essa é a conclusão dos especialistas que participaram do fórum “A educação na era digital”, realizado na Cidade do México.

No marco deste evento, organizado pela Universidade Internacional de la Rioja (UNIR) e a Agência EFE, Leonor Calderón, diretora do escritório da Secretaria-Geral Ibero-Americana para o México, o Caribe e América Central (Segib), falou da necessidade de universalizar o acesso à digitalização, especialmente entre os jovens.

Segundo o diretor-geral de Educação Superior Universitária (SUP) do México, Salvador Mau, os paradigmas da educação estão mudando, o que aponta em direção a uma “educação flexível” e adaptada a cada estudante.

Esse novo paradigma recai especialmente sobre as universidades, que devem ter ampla cobertura para dirigir a “inclusão e a igualdade”, destacou José María Antón, secretário-geral de Virtual Educa da Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo ele, a sociedade está em processo de transição entre presente e futuro, no qual se deve conseguir que a inclusão seja o elemento central de mudança.

A visão foi compartilhada por Francisco Cervantes, reitor da Universidade Aberta e a Distância do México, que afirmou que, na digitalização da educação, deve-se levar em conta também as desigualdades entre estudantes e instituições.

Porém, embora as boas intenções sejam claras, os problemas persistem, como destacaram vários analistas. O diretor-geral adjunto para Cooperação Internacional do Instituto Latino-americano da Comunicação Educativa (ILCE), Germán Escorcia, considerou muitas universidades ainda têm “muito pouco domínio das estratégias digitais”. “Não podemos avançar em uma era digital enquanto olharmos pelo retrovisor”, acrescentou Escorcia.

Entre 2000 e 2010, os matriculados em instituições de educação superior na América Latina duplicaram, passando de 20% para 40%. Porém, segundo Calderón, ainda há grandes lacunas a serem superadas. No México, por exemplo, apesar da educação ser garantida por lei como um bem comum, o investimento “insuficiente” limita a cobertura a apenas 34,1% do total populacional possível, afirmou Cervantes.

Isso limita a capacidade das universidade de serem geradoras de novos conhecimentos para preparar os alunos para as constantes transformações da sociedade. “Os depositários da riqueza são as universidades”, embora as hispânicas estejam atrasadas, disse o reitor do Instituto Tecnológico de Teléfonos de México, Javier Elguea. Diante disso, as instituições educativas da região foram encorajadas a criar conteúdo, pois, segundo ele, somente umas 10 entre 10.000 universidades ibero-americanas desempenham seu papel adequadamente.

Neste contexto, Alberto Ruiz-Gallardón, presidente do Conselho Social da Universidade Internacional de la Rioja (UNIR), pediu mais investimentos na educação digital na América Latina, para que a região tenha mais liderança. Na abertura do evento, o ex-ministro de Justiça espanhol (2011-2014) considerou uma “prioridade” impulsionar a educação digital. Para ele, o objetivo é conseguir que “novas gerações adquiram os conhecimentos necessários para ser plenamente competitivos em um mundo globalizado”.

Ruiz-Gallardón ainda afirmou que, atualmente, a América Latina é “a maior oportunidade que existente no planeta”, e que a educação digital é a “chave para o grande sonho” de conseguir uma região que avance rumo ao posto de liderança global.

Por sua vez, a coordenadora de Estratégia Digital Nacional, Alejandra Lagunes, falou da mudança de paradigma com a revolução tecnológica, na qual cada dois dias se cria “a mesma quantidade de informação” que foi gerada desde o “início da humanidade até 2003”. No entanto, ela lembrou que ainda há cerca de 4.000 milhões de pessoas desligadas da internet. “Que nível de inovação vamos experimentar quando tivermos a toda a população conectada?”, questionou.

No caso do México, os Alejandra reconheceu que existem grandes desafios, que espera que sejam sanados com a reforma educativa e de telecomunicações impulsionada pelo governo de Enrique Peña Nieto, no marco do Pacto pelo México assinado pelas principais forças políticas do país em 2012.

O encontro, que se centrou na inclusão transversal das tecnologias da informação e o uso de sistemas virtuais de ensino, foi encerrado com o discurso do reitor da UNIR, Roberto Ibáñez, que resumiu os valores intrínsecos do ensino. “O problema da desigualdade e da educação caminham juntos e são inseparáveis, porque desde a educação básica, podemos criar homens e mulheres generosos”, afirmou Ibáñez, que pediou o emprego da tecnologia “com inteligência”.




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