Crônica

Contos e canções viajam por escolas argentinas a bordo da “Biblioneta”

  • Em três anos e meio o projeto já foi a 150 escolas de todo o país

Contos e canções viajam por escolas argentinas a bordo da Foto: EFE/ Enrique Garcia Medina

Biblioteca itinerante que percorre a Argentina em busca de escolas, praças e feiras para promover a leitura entre as crianças.

Música, teatro, dança e, especialmente, muitos livros compõem a essência de “La Biblioneta”, uma biblioteca itinerante que percorre a Argentina em busca de escolas, praças e feiras para promover a leitura entre as crianças.

A ideia surgiu em 2011 quando María José “Majo” Turner descobriu, através de um programa de TV, o colombiano Luis Soriano e seus dois burros, Alfa e Beto, que carregam as histórias que o homem se dedica a divulgar pelos rincões de seu país.

“Majo” Turner então teve a ideia de fazer o mesmo em Buenos Aires, mas em vez de a “Biblioburro” criou a “Biblioneta”, uma Kombi 1986 decorada com desenhos das cataratas, montanhas e outras paisagens características da Argentina.

Em entrevista à Agência Efe ela contou que o carro parecia “ideal, além de um lindo espaço” para iniciar o projeto que considera “uma excelente desculpa” para divulgar a literatura.

Em três anos e meio, ela já foi a 150 escolas de todo o país e, entre docentes, diretores, músicos e crianças, 100 mil pessoas puderam desfrutar da original iniciativa que vai à rua de três a quatro vezes por semana.

É um ritual: ao chegar ao lugar aonde vão se apresentar, os integrantes da “Biblioneta” espalham os livros em tapetes coloridos, colocam banquinhos de madeira em volta e as canções começam.

Para a fundadora, se trata de um momento “mágico” quando o relógio para e a rotina dá lugar “ao amor, às cores, a música e a muitos livros”.

A “Biblioneta” nunca parte sozinha. “Majo” sempre sai acompanhada de algum de seus companheiros, como sua inseparável amiga Carina Schmidt, que põe voz, melodia e letras a um projeto que não poderia ser concebido sem música porque é a responsável por “chamar o público”, em sua opinião.

Para Carina, a música “é o início e o fim”, o que “agrega e conduz” o ritmo das apresentações, ao passar pelos diferentes estados de ânimo, “assim como os contos“.

Cada vez que descem da caminhonete, a primeira reação das crianças é de surpresa ao ver o carro cheio de brinquedos, gavetas, muitas cores e mais de mil livros prontos para ser utilizados.

Quando a esvaziam, os adolescentes tentam pegar no volante, enquanto os menores ficam na ponta do pé e perguntam onde fica a cozinha e o quarto onde as integrantes dormem.

“É parte da ilusão”, justificiy Carina, que acredita que a “Biblioneta” é uma espécie de “sonho” tanto para as crianças quanto para elas que nunca sabem o que vai acontecer depois que desligam o motor e abrem as portas da Kombi.

“Majo” Turner concorda e diz que a “Biblioneta” proporciona “muitas alegrias”, embora admita que também tiveram alguns percalços, como quando no meio de uma viagem pela província de Chubut, o motor pegou fogo. “Mas continuamos”, acrescentou com um sorriso.

É com esse espírito que elas percorreram todo o país, se mantendo com as contribuições de famílias, escolas e professores. Afinal, o que importa “é chegar” e a idade ou os recursos econômicos do público que participa não faz diferença.

Para “Majo” Turner, a leitura é “uma porta para a brincadeira, a imaginação e o compartilhamento” e, em seu caso, também é uma viagem contínua a bordo da “Biblioneta”.




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