ARTE MODERNA

Cinco curiosidades da Semana de Arte Moderna de 22

Cinco curiosidades da Semana de Arte Moderna de 22 (Foto: Capa do catálogo da exposição da Semana de 22/Cartaz criado por Di Cavalcante)

A Semana de 22 contou com participações de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos e outros grandes nomes da época

Há 94, neste mesmo mês de fevereiro, ocorreu no Brasil um evento que abalaria definitivamente os conceitos de arte vigentes até então: a Semana de Arte Moderna de 1922.

Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos e diversos outros grandes nomes da época se reuniram com o objetivo de criar uma arte genuinamente brasileira, inspirados, porém, nas vanguardas artísticas que afloravam na Europa à época. Até hoje, os reflexos dos modernistas de 22 são visíveis em nossa sociedade.

Como todos os grandes acontecimentos históricos, a Semana de 22 foi duramente criticada e, sobre ela, foi criado todo um folclore acerca do que de fato aconteceu durante os dias em que ocorreu. Pensando nisso, o EFE Escola listou 5 curiosidades sobre a Semana. Confira:

1 – Os tomates de Oswald

Em muitos momentos durante o evento, principalmente em seu primeiro dia, os organizadores surpreenderam o público com os conceitos artísticos e estéticos que apresentavam. Mas, no caso de Oswald de Andrade, a questão foi puramente de extravagância. Os boatos que correm no meio acadêmico, entre os estudiosos da semana, é que o idealizador da Semana pagou para que estudantes do Largo São Francisco, escola de direito da USP, atirassem tomates nele durante a declamação de um poema. Simplesmente pela polêmica.

2 – Os Sapos e as vaias

Ficou claro, durante o evento, que o público que compareceu não estava preparado para tanto modernismo. O caso mais evidente foi durante o poema “Os Sapos”, de manuel bandeira, declamado por Ronald de Carvalho na segunda noite da Semana. A obra, que ironizava o movimento parnasiano (que buscava a perfeição formal dos versos e ao qual se opõe o modernismo), recebeu uma sonora vaia dos presentes.

3 – Vila Lobos de chinelos

O descontentamento foi tanto que proporcionou, inclusive, muitas situações cômica. No dia 17 de fevereiro, o último da semana, Heitor Villa-Lobos se apresentou no evento. Ele, porém, entrou no palco calçando um pé de sapato e em outro chinelo. Para os espectadores, tratava-se de um manifestação modernista, que foi considerada desrespeitosa e foi vaiada. O músico, porém, que é considerado um “anti-modernista”, se justificou dizendo que o motivo para ele estar usando chinelo, na verdade, foi que estava com um calo inchado no pé.

4 – Anita Malfatti x Monteiro Lobato

Um dos principais nomes do evento, Anita Malfatti, foi duramente criticada por um grande nome da literatura brasileira: Monteiro Lobato. Em 1917, ele publicou um artigo no jornal O Estado de S. Paulo criticando a exposição de Anita, que acabara de retornar da Europa e estava repleta de obras modernistas. Como consequência, muitas das obras dela que tinham sido vendidas foram devolvidas, algumas delas inclusive destruídas… a bengaladas!

5 – A semana de três dias

Embora estivesse programado para ocorrer entre 11 e 18 de fevereiro, o Theatro Municipal de São Paulo só recebeu exposições nos dias 13, 15 e 17. Cada dia teve seu tema: no primeiro, foram esculturas, no segundo literatura e no terceiro música. Inclusive, muitos nomes importantes do modernismo sequer estiveram presentes, como Manuel Bandeira, que estava doente, e Tarsila do Amaral, que encontrava-se em Paris à época.




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