EDUCAÇÃO BÁSICA

Brasil possui 8 milhões de estudantes com defasagem idade-série

  • Dados foram apresentados hoje pelo representante da UNICEF no Brasil, Gray Stahl

Brasil possui 8 milhões de estudantes com defasagem idade-série Foto: EFE/Rahat Dar

Outras 3 milhões de crianças não estão incluídas no sistema educacional segundo dados da UNICEF

O Brasil ainda possui 8 milhões de crianças com defasagem idade-série nas escolas públicas e outras 3 milhões não incluídas no sistema educacional segundo dados apresentados hoje ao EFEescola pelo representante da UNICEF no Brasil, Gary Stahl, durante o Seminário Nacional sobre Redução das Desigualdades Intramunicipais: Rumo à Inclusão de Crianças e Adolescentes em Centros Urbanos.

Segundo Stahl, o Brasil precisa “focar todas as suas políticas” na população que ainda não foi atingida pelos programas sociais e defende  que o principal “gargalo” a ser vencido para garantir que as evoluções obtidas pela educação brasileira nos últimos anos tenham reflexos na desigualdade social é o tempo, pois o país “começou muito tarde” esse processo.

“O Brasil universalizou a educação básica no ano de 1999, 120 anos depois da Argentina, Chile, Uruguai e até 150 anos depois dos EUA e da Europa, em geral. Então, é uma questão de tempo para que a nova legislação traga diferenças. É preciso esperar que essa população chegue à idade adulta para observar as mudanças culturais e sociais” explica Stahl.

Convidado do evento organizado pela UNICEF em comemoração aos 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ressaltou que o foco era “começar do começo, com a oferta de educação básica”, destacando que as mudanças na educação nacional já nos permitem observar muitos representantes de grupos sócio-acentricos (“minorias”) ocupando vagas em universidades e escolas profissionalizantes, o que há pouco tempo era inacessível a estes grupos marginalizados.

“Foi feito em 10 anos uma vez e meia o que havia tinha sido feito (para a educação) em toda a história anterior do Brasil” afirmou Haddad. O diretor global de programas da UNICEF, Ted Chaiban, concordou com o prefeito, ressaltando que “ainda falta que estejam disponíveis para todos estas novas oportunidades”.

O principal programa apresentado no evento foi a Plataforma dos Centros Urbanos, organizado pela UNICEF em parceria com as oito capitais brasileiras participantes: Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.

A coordenadora do programa, Luciana Phebo, explicou ao EFEescola que trata-se de uma análise dos indicadores de saúde, educação e proteção dos jovens, para identificar os bairros onde os direitos da criança são mais feridos.

Dentre os dados colhidos pelo programa estão estatísticas de cobertura de pré-natal, taxa de mortalidade neonatal, taxa de distorção idade-série no ensino fundamental na rede pública municipal, gravidez na adolescência e homicídios de adolescentes de 10 a 19 anos.

A plataforma acontece no período de quatro anos, seguindo o mandato do prefeito, para que seja analisado do início ao fim se houve melhora e redução nas desigualdades sociais intramunicipais entre as cidades participantes.

No caso da educação, Phebo defende que nas regiões mais atingidas há problemas “dentro da escola” que afastam os alunos da sala de aula, como “a qualidade dos professores, a infraestrutura física do local e o acesso”. Entre os motivos externos, ela destaca o trabalho infantil e a gravidez na adolescência.

Para o representante da UNICEF no Brasil, Gary Stahl, é necessário uma mudança cultural para que não seja mais considerado normal por parte da sociedade haver crianças na rua ou trabalhando em horário escolar, “em outros países as pessoas reclamam ao se depararem com estas situações, no Brasil isso não acontece”, ressalta.




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