EDUCAÇÃO TÉCNICA

“A educação técnica no Brasil sofreu com o estigma de ser educação para pobres” afirma ministro

“A educação técnica no Brasil sofreu com o estigma de ser educação para pobres” afirma ministro Foto: EFE/Sebastião Moreira

Durante evento de inauguração de programa de capacitação de jovens da Nestlé, Renato Janine falou sobre o ensino técnico e as mudanças nos modelos de ensino do país.

O ministro da educação Renato Janine afirmou em evento da Nestlé em São Paulo que a educação técnica brasileira sofreu durante muito tempo com o estigma ser uma “educação para pobres”, pelo modelo com o qual se fundamentou historicamente no país. No entanto, Janine defendeu que esse modelo começa a ruir no país.

O aumento da obrigatoriedade do ensino, que hoje inclui o ensino médio como obrigatório, foi o principal fator destacado pelo ministro como ponto de mudança do modelo antigo, porém Janine criticou que ainda há muito o que caminhar para um país não se conformar com a obrigatoriedade do ensino terminar no módulo “médio” – “que deveria ser apenas o meio do ensino” – conforme explicou para o público.

“Nós temos uma formação técnica de muita qualidade” indicou Janine, explicando que a tradição deste tipo de escola deve existir para suprir as pessoas que “não querem ir pra faculdade” e preferem fazer um curso que lhes garanta um emprego em áreas onde o ensino superior não é essencial.

O ministro destacou a importância do Pronatec nessa formação, pois o programa “procura juntar dois elementos fundamentais da educação técnica, a flexibilidade, pela abrangência das áreas, e o rigor, que se dá seja pela avaliação ou seja pela certificação”, afirmou.

Destacando como uma das características do ensino técnico, Janine defendeu que educação precisa estar associada ao “fazer” e o Brasil precisa desmontar a tradição “livresca” que tem a educação nacional. O ministro destacou que uma escola deve, além de ensinar, incentivar as habilidades que os estudantes já tem quando chegam a sala de aula.

Janine pediu também por mais criatividade ao lidar com a educação, pois, ressaltou que “infelizmente o brasileiro se desanima com uma certa facilidade” e cabe às escolas manter os alunos interessados em contribuir para o conhecimento e a tecnologia do país.

O ministro se mostrou satisfeito com a iniciativa do grupo Nestlé em incentivar a capacitação profissional de jovens com o programa que lançou hoje – Nestlé Nutrindo os Sonhos dos Jovens – e destacou que é sempre necessário que as empresas invistam em jovens que podem produzir conhecimento e tecnologia, mas que as empresas brasileiras são “muito reticentes em patrocinar pesquisas aqui feitas”.

As palavras de Janine se deram um dia depois da presidenta Dilma Rousseff receber no Palácio do Planalto o grupo de vencedores do 43º WorldSkills, que aconteceu em São Paulo no mês passado e reuniu 1200 estudantes de 62 países.

Dilma qualificou naquele dia o ensino técnico como “uma alavanca do crescimento futuro”, afirmando para o grupo que “cada centavo” investido no Pronatec “vale a pena” e “da um imenso retorno ao país”.

O Brasil venceu a competição com 27 medalhas e 18 certificados de excelência e o número de matrículas em cursos técnicos no país no último ano chegou a 1,7 milhões, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).




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